Pai

Em toda a minha vida construi castelos de areia e tentei mantê-los sempre de pé. Mas, certo dia, o mar decidiu derrubá-lo com imensa brutidade. Quando não o vi fiquei triste. E pensei que aquilo era um sinal, algo ia acontecer, não sei, mas pressenti isso. Tinha medo de estar certa e ser algo que me fosse fazer bater com a cabeça.
Foste tu, eras tu! O sinal era sobre ti. Tu partiste e não te despediste, não me falaste, não me beijaste, não me abraçaste, não me tocaste, nem um adeus… Não senti, nem ouvi nada de ti.
Para onde foste? Fugiste? Diz-me o local, vou ter contigo!
Mas sempre que fazia estas perguntas nunca obtinha resposta de quem queria. Era sempre a minha cabeça a imaginá-las. Até chegar o dia de rebentar e procurar-te. Encontrei-te no local mais obscuro. Quando vi que eras tu, rebentei completamente e chorei. Eu tinha-te perdido para sempre, nunca mais ia receber um beijo teu, um carinho…
Só cai na realidade quando vi que era verdade.
Os meus dias foram fracassando sem ti, sem tudo o que tinha haver contigo. Hoje? Hoje ainda ultrapasso a dor que ficou cravada no meu peito e nunca conseguirei sarar essa grande ferida que se instalou no meu peito.

Saudades pai


4 comentários:

  1. és linda. e és ainda mais linda por seres tão forte. e és mais linda ainda por superares tudo o que te acontece.
    adoro-te minha força da natureza*

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